Para quem trabalha em cardiologia, Bordéus é uma cidade a conhecer. É lá que estão o IHU Liryc, dedicado às arritmias cardíacas, e o IHU VBHI, selecionado em 2023 para as doenças vasculares do cérebro. A eles juntam-se o Hospital Universitário de Bordéus (CHU de Bordeaux) e o Instituto Bergonié, um centro inteiramente dedicado ao cancro. Em suma, uma cidade onde a prestação de cuidados, a investigação e o ensino andam lado a lado.

O panorama: um hospital universitário, dois IHU e um centro oncológico

Em França, um CHU (centre hospitalier universitaire) corresponde a um grande hospital universitário: cuidados, ensino e investigação na mesma instituição. O de Bordéus é a peça central da cidade. Segundo os seus números-chave de 2025, conta com 2614 camas e 447 lugares de hospital de dia, cerca de 16 000 profissionais, dos quais 1660 do pessoal médico, e 814 internos e médicos juniores. O hospital indica ainda 2370 contratações nesse ano. Não é uma promessa de emprego, mas dá uma ideia da dimensão: praticamente todas as especialidades estão presentes.

InstituiçãoÁreaO que convém saber
CHU de BordeauxTodas as especialidades, cuidados, ensino e investigação2614 camas e 447 lugares de hospital de dia, cerca de 16 000 profissionais (números do hospital, 2025)
IHU LirycArritmias e modelação cardíacaSelecionado em 2011; parceiros: CHU, Universidade de Bordéus, Inserm, CNRS, Inria
IHU VBHIDoenças vasculares do cérebro (AVC, demências)Selecionado em 2023 no âmbito do plano France 2030, liderado pela Universidade de Bordéus
Instituto BergoniéOncologia (rede Unicancer)Rede Unicancer; centro de ensaios de fase precoce CLIP², acreditado pelo INCa

O hospital está também em plena transformação. O programa «Nouveau CHU de Bordeaux» representa 1,4 mil milhões de euros e 26 obras, segundo a própria instituição. Chegar a um hospital que se está a reconstruir significa muitas vezes encontrar serviços novos, equipas que se reorganizam e formas de trabalhar em mudança: um contexto em que quem vem de fora pode encontrar mais facilmente o seu lugar.

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Coração e ritmo: o IHU Liryc

O IHU Liryc é o instituto hospitalar-universitário de Bordéus dedicado às perturbações do ritmo cardíaco e à modelação do coração. Foi um dos seis IHU escolhidos na primeira seleção nacional, em 2011. Reúne o CHU, a Universidade de Bordéus, o Inserm, o CNRS e o Inria e, segundo o próprio instituto, mais de 160 médicos e investigadores. A ficha do projeto da Agência Nacional de Investigação francesa (ANR) refere um financiamento de 69,1 milhões de euros para um período que vai de junho de 2011 a dezembro de 2028.

Um IHU não é um hospital à parte: é um espaço onde equipas clínicas e equipas de investigação trabalham sobre o mesmo tema, com os doentes do CHU. Para um cardiologista, um eletrofisiologista ou um interno interessado em arritmologia, isso significa prática clínica e inovação no mesmo corredor. Para um enfermeiro que gosta da componente técnica, os serviços de cardiologia e os laboratórios de eletrofisiologia são exigentes e permitem aprender depressa. E para quem se interessa pela investigação clínica, um IHU traz estudos, ensaios e funções dedicadas à sua coordenação.

O cérebro e os seus vasos: o IHU VBHI

Em 2023, no âmbito do plano de investimento France 2030, Bordéus obteve um segundo IHU: o VBHI, centrado nas doenças vasculares do cérebro, em particular o AVC e as demências, e liderado pela Universidade de Bordéus. A síntese da ANR sobre o programa IHU enumera 19 IHU selecionados em França entre 2011 e 2023; fora da região de Paris, Bordéus é a única cidade que acolhe dois. O novo instituto prolonga o eixo vascular da cidade, do coração ao cérebro. Neurologistas, angiologistas e geriatras percebem logo o interesse, tal como enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais que acompanham o doente depois de um AVC, quando o acompanhamento a longo prazo conta tanto como a fase aguda.

Oncologia: o Instituto Bergonié

O Instituto Bergonié é o centro de luta contra o cancro de Bordéus e pertence à Unicancer, a rede dos 18 centros franceses deste tipo. O instituto indica 159 camas, das quais 33 lugares de hospital de dia, nos números do seu relatório de atividade de 2024. Tal como os outros centros franceses de luta contra o cancro, é um estabelecimento de saúde privado de interesse coletivo (ESPIC, segundo a lei francesa), com missões centradas na oncologia; o próprio instituto descreve-as como cuidados, investigação, prevenção e ensino.

O Bergonié dispõe de um centro de ensaios clínicos de fase precoce, o CLIP², acreditado pelo Instituto Nacional do Cancro francês (INCa), e participa no SIRIC BRIO, um sítio de investigação integrada sobre o cancro. Os ensaios de fase precoce são os primeiros estudos de um tratamento em doentes: exigem equipas muito bem preparadas, uma vigilância apertada e uma coordenação fina entre médicos, enfermeiros e pessoal de investigação clínica. Para quem quer trabalhar em oncologia numa estrutura especializada, é uma experiência diferente da de um grande hospital geral: mais pequena e com um único foco.

Para que profissionais?

  • Médicos: cardiologia e eletrofisiologia em torno do Liryc, neurologia vascular com o VBHI, oncologia no Bergonié e todas as especialidades de um grande hospital universitário com forte peso na formação (814 internos e médicos juniores em 2025, segundo o CHU).
  • Enfermeiros: serviços ligados aos pontos fortes da cidade, como a cardiologia, a neurologia ou a oncologia, e funções de investigação clínica; as ofertas do CHU e do Bergonié indicam os serviços que estão a contratar.
  • Parteiras: a maternidade do CHU; informe-se diretamente junto do hospital sobre a organização dos serviços.
  • Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais: a reabilitação após um AVC ou uma doença cardíaca, onde os temas do VBHI e do Liryc se cruzam com a prática diária.
  • Aides-soignants (profissão francesa; em linguagem corrente, «auxiliares de saúde»): um grande hospital em plena transformação precisa de equipas numerosas em todos os serviços; as necessidades variam conforme os serviços e os períodos. Se trabalha em Portugal como auxiliar de saúde (em linguagem corrente), tenha em conta que o seu título não permite automaticamente exercer como aide-soignant em França: explicamos tudo no nosso guia dedicado.

Viver em Bordéus

Bordéus é a capital do departamento da Gironda e da região Nova Aquitânia, no sudoeste de França. Fica nas margens do Garona, perto da costa atlântica, e é uma cidade universitária: a Universidade de Bordéus conduz parte da investigação em saúde, incluindo o IHU VBHI. Quando começa a imaginar-se lá, surgem depressa as perguntas práticas: bairro, transportes, escola, burocracia. Reunimo-las no nosso guia para se instalar em França como profissional de saúde europeu e no nosso artigo sobre o alojamento em França. Para as remunerações, consulte o nosso artigo sobre os salários na saúde em França.

Da ideia ao processo

Escolher Bordéus é o primeiro passo. O caminho para exercer depende depois da sua profissão e do seu diploma. Leia o guia da sua profissão: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, parteiras, aides-soignants ou terapeutas ocupacionais, bem como o nosso guia geral para exercer em França com um diploma de saúde europeu.

Um conselho: veja as ofertas e os serviços que lhe interessam antes mesmo de concluir o processo. Saber se se vê num hospital universitário, num centro oncológico ou numa unidade ligada à investigação ajuda a preparar a chegada e a imaginar a sua vida na cidade.