Lille destaca-se nos transplantes, na investigação em diabetes e na oncologia. O seu hospital universitário, o CHU de Lille, realizou 704 transplantes em 2025, incluindo transplantes de ilhéus de Langerhans; o Centre Oscar Lambret dedica-se exclusivamente ao cancro, e o Institut Pasteur de Lille integra um polo de investigação centrado na diabetes, na obesidade e na medicina de precisão. Tudo isto junto à fronteira com a Bélgica.

Quando um enfermeiro ou um fisioterapeuta formado em Portugal pensa em França, costuma pensar em Paris, em Lyon ou no sudoeste. Lille, no extremo norte, raramente entra na lista. É pena: se lhe interessa o tipo de medicina que vai praticar no dia a dia, aqui encontra um hospital universitário de grande dimensão, algumas especialidades pouco comuns e uma cidade com um forte cunho europeu. Fica o retrato.

Os grandes hospitais e institutos de Lille

Tudo gira à volta do CHU de Lille, o grande centro hospitalar universitário da cidade. Segundo os seus números-chave de 2025, reúne 12 hospitais, 16 polos clínicos e 3256 camas e lugares de hospital de dia. Trabalham lá 16 279 profissionais de 246 profissões diferentes, e em 2025 foram feitos 1383 recrutamentos. À sua volta encontram-se um centro oncológico, um instituto de investigação com história e um parque de empresas da área da saúde.

InstituiçãoÁreaO que convém saber
CHU de LilleTodas as especialidades, transplantes, genómica12 hospitais, 16 279 profissionais, 136 115 atendimentos de urgência e 4751 partos em 2025
Centre Oscar LambretOncologiaCentro de luta contra o cancro do grupo Unicancer; 25 000 doentes acompanhados em 2024
Institut Pasteur de LilleInvestigação, prevenção, vacinação34 equipas em 8 unidades de investigação; centro de vacinação internacional e medicina do viajante
Eurasanté (Loos)Empresas de saúdeAgência de desenvolvimento económico do setor da saúde e nutrição; o seu parque acolhia 206 empresas em 2025
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Transplantes: a imagem de marca do CHU de Lille

Se há uma área que define Lille, é a transplantação. Em 2025, o CHU realizou 704 transplantes: 308 transplantes de órgãos (188 rins, 92 fígados e 28 corações), 224 alotransplantes, 158 transplantes de córnea e 14 transplantes de ilhéus de Langerhans. Realizou ainda 175 colheitas de órgãos.

O transplante de ilhéus merece uma explicação. Transplantam-se as células do pâncreas que produzem insulina em determinados doentes com diabetes tipo 1: é uma forma de terapia celular. Em 2022, o prémio Line Renaud – Loulou Gasté foi atribuído ao professor François Pattou e à equipa de Lille dedicada ao transplante de ilhéus, como anunciou a Universidade de Lille.

Na prática, este volume traduz-se em percursos assistenciais completos: coordenação das colheitas, bloco operatório, cuidados intensivos e, depois, o acompanhamento do doente transplantado no internamento e na consulta. É um ambiente exigente, onde se aprende depressa e se trabalha em verdadeiras equipas multidisciplinares.

Diabetes e medicina de precisão

A diabetes é o fio condutor da investigação em Lille. O LabEx EGID, coordenado pela Universidade de Lille com o CHU, o CNRS, o Inserm, a Université d'Artois e o Institut Pasteur de Lille, teve financiamento público de abril de 2011 até ao final de 2024, segundo a sua ficha da Agência Nacional de Investigação francesa (ANR). Dedica-se à diabetes, à obesidade, ao metabolismo e à medicina de precisão, nomeadamente através do programa PreciDIAB.

A medicina de precisão também se vê na atividade do hospital: 23 153 análises por sequenciação de alto débito e 42 196 doentes com análise molecular em 2025. O plano estratégico do CHU para 2026-2030 acrescenta um eixo de terapias celulares e génicas e uma federação de cinco centros de referência de doenças raras. Um esclarecimento: Lille não tem IHU, a designação francesa dos institutos hospitalo-universitários financiados pelo Estado. A sua investigação apoia-se na universidade, no CHU, nos organismos públicos de investigação e no Institut Pasteur.

Oncologia: o Centre Oscar Lambret e o CHU

O Centre Oscar Lambret é o centro de luta contra o cancro de Lille e pertence à Unicancer, a rede francesa de centros oncológicos. Destaca os cancros pediátricos, da mama, ginecológicos e da cabeça e pescoço. Em 2024 acompanhou 25 000 doentes, dos quais 3770 em radioterapia e 3670 por cancros femininos. O próprio centro apresenta-se como o primeiro estabelecimento da região Hauts-de-France acreditado como «Comprehensive Cancer Center» pela OECI, a organização europeia de institutos oncológicos.

Por seu lado, o CHU registou 42 545 internamentos em oncologia e 12 082 exames PET em 2025. Para quem trabalha em oncologia, Lille oferece assim duas culturas: a de um centro especializado, onde tudo gira à volta do cancro, e a de um grande hospital universitário, onde a oncologia convive com todas as outras especialidades.

O Institut Pasteur de Lille e o ecossistema da saúde

O Institut Pasteur de Lille reúne 34 equipas em 8 unidades de investigação e fala em «mais de 800 talentos». A investigação recente abrange o cancro, a doença de Alzheimer, a obesidade e a diabetes, as doenças do fígado, as doenças infeciosas e a resistência aos antibióticos. Também recebe o público: centro de vacinação internacional e medicina do viajante, centro antirrábico e check-ups de prevenção.

Em Loos, às portas de Lille, o parque Eurasanté acolhia 206 empresas e 3800 trabalhadores em 2025. A Eurasanté é a agência de desenvolvimento económico do setor da saúde e nutrição da região e trabalha com o CHU e a Universidade de Lille. Vale a pena ter em mente se um dia a investigação clínica ou a indústria o atraírem.

Para que profissionais de saúde?

  • Médicos: em 2025, o CHU contava 1117 profissionais médicos seniores, 471 hospitalo-universitários e 953 internos, com especialidades de ponta como transplantes, genómica e doenças raras.
  • Enfermeiros: serviços muito variados, dos cuidados intensivos aos transplantes e à oncologia; o CHU forma os seus próprios enfermeiros, incluindo enfermeiros de anestesia.
  • Parteiras: 4751 partos no CHU em 2025 e uma escola de parteiras ligada ao hospital.
  • Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais: a reabilitação acompanha os transplantes, a cirurgia e o tratamento do cancro, e o CHU tem atividade de cuidados de reabilitação (SMR).
  • Aides-soignants (em linguagem corrente, «auxiliares de saúde»): presentes em numerosos serviços; o CHU tem o seu próprio instituto de formação (IFAS). Um diploma obtido em Portugal não permite exercer automaticamente como aide-soignant em França: consulte o nosso guia.

Nenhum destes números é uma oferta de emprego: servem apenas para perceber a dimensão das equipas e a variedade dos postos. As vagas são publicadas diretamente nos sites das instituições.

Viver em Lille: uma cidade virada para a Bélgica

Lille é a grande cidade da região Hauts-de-France e a sua área metropolitana estende-se até à fronteira belga. Essa proximidade está organizada: um acordo-quadro franco-belga de cooperação sanitária transfronteiriça, em vigor desde 1 de março de 2011, abrange a região Hauts-de-France e, do lado belga, distritos como Kortrijk (Courtrai), Mouscron e Tournai. No seu plano estratégico 2026-2030, o CHU prevê reforçar a colaboração com os hospitais belgas da zona e facilitar a circulação de doentes e de profissionais entre os dois países.

Para o resto (bairros, transportes, formalidades à chegada, procura de casa), os nossos guias sobre instalar-se em França e encontrar alojamento em França explicam o caminho. Para comparar remunerações, leia o nosso artigo sobre salários na saúde em França.

Da ideia ao processo

Escolher Lille é apenas o primeiro passo. A via para exercer depende depois da sua profissão e do seu diploma: consulte o guia da sua profissão (médico, enfermeiro, parteira, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, aide-soignant) e o nosso guia geral para exercer em França com um diploma europeu.